Barbearia Bar recebe Falces e 43 Duo em noite dedicada à música independente

Falces - Foto Ale Pelistri e Rodrigo Qohen

O Barbearia Bar promove neste sábado uma programação voltada à música autoral com shows gratuitos da banda paulistana Falces e do 43 Duo, de Paranavaí. A casa abre às 20h e as apresentações começam às 21h. Referência na cena alternativa de Londrina, o espaço reforça seu papel como um dos principais pontos de circulação da produção musical independente ao reunir artistas de diferentes regiões do país em uma noite marcada pela psicodelia, improvisação e experimentação sonora.

Muito além de um palco para apresentações, o Barbearia Bar (R. Benjamin Constant, 1614) consolidou-se como um espaço de resistência cultural. Ao longo dos últimos anos, a casa tem mantido uma programação voltada à música autoral, incentivando o intercâmbio entre bandas independentes e oferecendo ao público londrinense acesso a produções que dificilmente encontram espaço nos circuitos comerciais. A proposta fortalece a cena alternativa local e amplia a circulação de artistas do Paraná e de outros estados.

A principal atração da noite é o Falces, trio formado em São Paulo por Ana Zumpano (Oruã), Beeau Gomez (Lê Almeida) e Elke Lamers (Ema Stoned). A banda constrói apresentações a partir da improvisação, utilizando loops, fitas cassete e equipamentos analógicos para criar paisagens sonoras que transitam entre psicodelia, ruído, ambiência e silêncio. Cada show é único, resultado de uma criação em tempo real.

Para os integrantes, essa escolha artística também representa uma forma de resistência diante da lógica acelerada do consumo digital. “Hoje as plataformas condicionam as pessoas a consumirem música de forma muito rápida. A gente prefere fazer o som da forma que acredita, sem ficar preso a formatos ou fórmulas. Essa liberdade acaba criando autenticidade“, afirma Beeau Gomez.

Ana Zumpano destaca que a proposta do grupo também convida o público a viver uma experiência coletiva fora das redes sociais. “É uma forma de manter a liberdade artística e incentivar as pessoas a saírem um pouco da internet para viver um momento real, compartilhado, sem se preocupar com o que está em alta.”

Segundo Elke Lamers, a experimentação só é possível porque a banda não se preocupa em repetir uma fórmula. “A gente procura criar a partir da curiosidade, não da expectativa. Cada apresentação é diferente justamente porque não queremos nos prender a uma lógica de consumo.”

Experiência fortalece um projeto mais livre

Embora o Falces seja um projeto recente, seus integrantes acumulam anos de atuação na música independente brasileira. Essa bagagem, segundo Ana Zumpano, tornou o trabalho mais leve e organizado. “A experiência faz com que a gente não repita erros do passado e consiga lidar melhor com a rotina de uma banda. O maior desafio continua sendo viabilizar artisticamente esse trabalho dentro de um mercado que ainda oferece pouco espaço para propostas experimentais.”

Beeau Gomez acredita que essa trajetória também permitiu diminuir a pressão sobre o fazer artístico. “Levantar uma banda exige muito trabalho. A gente quis tirar um pouco desse peso para que tocar continuasse sendo divertido. Isso influencia diretamente a música, porque abre espaço para improvisar e experimentar sem medo.

Elke Lamers acrescenta que manter um projeto autoral no Brasil exige persistência. “É preciso criar redes, estabelecer parcerias e aprender a dialogar com a divulgação sem perder a essência. A gente entra na lógica das redes sociais, mas tenta não se deixar moldar por ela.”

43 Duo reforça identidade do interior paranaense

43 Duo – Foto Divulgação

Abrindo a programação, o 43 Duo, formado por Hugo Ubaldo e Luana Santana, leva ao palco um repertório que mistura indie rock, psicodelia e letras inspiradas na natureza, na vida em sociedade e na poesia. Criado durante a pandemia, o projeto lançou três álbuns em poucos anos e se consolidou como um dos representantes da nova cena independente paranaense.

Para Hugo Ubaldo, o crescimento da banda está diretamente ligado ao fortalecimento da produção musical do interior do Paraná. “A cena independente paranaense foi fundamental para o nosso crescimento. Somos de Paranavaí, no extremo noroeste do estado, e conseguimos mostrar que também existe produção cultural forte fora dos grandes centros. Essa rede de artistas, festivais, rádios e espaços independentes faz toda a diferença.”

O músico também destaca que a identidade do grupo nasce da relação com o território onde vive. “A gente fala da natureza porque ela faz parte da nossa vida. Nosso trabalho dialoga com o interior, com os rios, com o que ainda resta de Mata Atlântica. Mesmo fazendo rock psicodélico, queremos mostrar que existe uma identidade paranaense além da região de Curitiba.”

Segundo ele, circular pelo Brasil reforçou a importância de representar o interior do estado. “Quando viajamos, muitas pessoas nem imaginam que somos do Paraná. Então fazemos questão de mostrar essa identidade e fortalecer essa conexão entre música, território e cultura.”

Cultura independente construída coletivamente

A noite no Barbearia Bar também reforça a importância dos espaços independentes para a sobrevivência da produção autoral brasileira. Além da entrada gratuita, a casa mantém a ação Bandeira 2, iniciativa que convida o público a colaborar voluntariamente com os custos de produção e os cachês dos artistas por meio de um item solidário no cardápio.

Em um cenário cada vez mais concentrado nas grandes plataformas e nos circuitos comerciais, iniciativas como essa ajudam a manter viva uma rede de artistas, produtores e espaços culturais que seguem apostando na diversidade, na experimentação e na música feita de forma independente.

Serviço

Evento: Shows com Falces (SP) e 43 Duo (Paranavaí)
Quando: Sábado
Horário: Abertura da casa às 20h | Shows a partir das 21h
Local: Barbearia Bar – R. Benjamin Constant, 1614 – Centro, Londrina (PR)
Entrada: Gratuita
Informações: Durante a noite, o público pode colaborar com a ação Bandeira 2, iniciativa solidária que ajuda a custear a produção do evento e os cachês dos artistas.

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