Cena em Movimento conecta artistas ao mercado cultural

A segunda edição do Cena em Movimento será realizada entre os dias 15 e 21 de agosto, em Londrina, reunindo grupos de artes cênicas, produtores, curadores e representantes de festivais em uma programação voltada à circulação de espetáculos e ao fortalecimento da economia criativa. Com atividades na Vila Triolé e no Museu de Artes, o projeto promove rodadas de negócios, mentorias e apresentações artísticas gratuitas, criando conexões entre a produção cultural de Londrina e o mercado das artes cênicas do Paraná.

Realizado pela ASPA – Associação dos Profissionais de Arte de Londrina, o Cena em Movimento chega à segunda edição com o desafio de transformar a reconhecida produção artística da cidade também em oportunidades de circulação, geração de renda e sustentabilidade para companhias e profissionais do setor.

Segundo Amanda Freire, produtora executiva do Cena em Movimento, Londrina possui uma produção expressiva de espetáculos, mas ainda enfrenta dificuldades para inserir esses trabalhos nos circuitos de apresentações e festivais de outras regiões. “Londrina possui uma cena artística muito expressiva, o que reflete na produção que a gente tem de espetáculos. Acontece que a gente tem uma dificuldade muito geográfica também de conseguir efetivar essas vendas de espetáculos, de conseguir traçar circulações em outros estados e até, às vezes, dentro do nosso próprio estado”, explica.

Para Amanda, a localização da cidade também interfere nesse processo. Londrina está distante tanto do principal eixo comercial formado por Rio de Janeiro e São Paulo quanto da capital paranaense, situação que pode dificultar a aproximação entre artistas, festivais e programadores culturais. É justamente para reduzir essa distância que o Cena em Movimento aposta na aproximação direta entre quem produz e quem contrata espetáculos. A iniciativa foi estruturada em três frentes: programação artística, formação profissional e rodadas de negócios.

Rodadas aproximam grupos e compradores

Cena em Movimento

Consideradas um dos principais eixos do projeto, as rodadas de negócios desta edição contarão com 15 grupos de Londrina e região e quatro compradores ligados a importantes instituições e festivais: Festival de Curitiba, FENATA – Festival Nacional de Teatro, de Ponta Grossa, EnCena – Festival Internacional de Teatro de Jacarezinho, e SESI Londrina.

Na dinâmica das rodadas, cada grupo terá 20 minutos de encontro com cada comprador. Os primeiros dez minutos serão destinados à apresentação do repertório, trajetória e trabalho da companhia. Na sequência, haverá outros dez minutos para conversas, esclarecimentos e possíveis negociações. “Ao término desses 20 minutos, os compradores giram. Então a representante do Festival de Curitiba passa para um próximo grupo e, nesse primeiro grupo que estava sentado, chega, por exemplo, a representante do SESI Londrina. A gente vai fazendo essas rodadas em que os compradores vão girando de mesa em mesa e conhecendo todos os trabalhos que estão ali para serem apresentados”, detalha Amanda. O formato busca criar uma oportunidade de contato que dificilmente aconteceria no cotidiano dos grupos, permitindo apresentar portfólios diretamente aos profissionais responsáveis pela seleção e contratação de espetáculos.

A escolha dos compradores para 2026 também foi influenciada pelos resultados da primeira edição do Cena em Movimento, realizada em 2024. Segundo Amanda, a experiência demonstrou que a proximidade geográfica pode favorecer a continuidade das conversas iniciadas durante a feira e aumentar as possibilidades de efetivação dos negócios.

Na primeira edição, o contato com o Festival de Curitiba apresentou resultados especialmente positivos. A partir dessa experiência, a curadoria decidiu priorizar, neste ano, festivais e instituições do Paraná. “Para essa edição a gente fez esse desenho curatorial dos compradores pensando em festivais da região, festivais do Paraná, para trazer essa proximidade e talvez realmente fechar negócios e parcerias entre os grupos daqui de Londrina e da região com esses festivais”, afirma.

Segundo a produtora executiva, a primeira edição também teve grande adesão da classe artística e avaliações positivas dos grupos participantes, principalmente pela possibilidade de conhecer novos festivais e estabelecer uma conversa direta com seus representantes. A expectativa agora é avançar ainda mais na transformação desses encontros em contratações e circulação. “Para a efetivação de vendas, a gente sentiu que para essa edição seria interessante ter compradores que são da região e que podem, de fato, converter em compras e negócios essa leva de espetáculos e grupos artísticos selecionados para participar”, acrescenta.

Cultura como atividade econômica

Rodadas do Cena em Movimento – foto divulgação

Além das rodadas de negócios, o Cena em Movimento busca ampliar o debate sobre a profissionalização e a sustentabilidade econômica das artes cênicas.A realização do projeto conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Ministério da Cultura/Governo Federal e da Prefeitura do Município de Londrina/Secretaria Municipal de Cultura. O investimento permite que todas as ações sejam oferecidas gratuitamente, tanto para os profissionais participantes quanto para o público.

De acordo com a organização, a expectativa é alcançar aproximadamente 450 pessoas presencialmente e outras duas mil indiretamente, além de estimular o turismo cultural e fortalecer Londrina como destino para intercâmbios e negócios ligados às artes.

Amanda avalia que a cidade já reúne elementos importantes para ocupar uma posição de maior destaque nesse mercado. Londrina possui grupos consolidados, produção artística contínua e festivais de diferentes linguagens, além do Festival Internacional de Londrina (FILO), que historicamente funciona como uma vitrine para as artes cênicas. O desafio, segundo ela, está em fortalecer iniciativas voltadas especificamente à dimensão econômica dessa produção. “Realmente faltam iniciativas que trabalhem nesse lugar mais mercadológico, que é importantíssimo porque garante o sustento dos produtores e dos grupos artísticos da cidade. A gente pode, sim, se tornar essa referência de se pensar em planejamento para circulações, vendas de espetáculos e planos de negócios mais sustentáveis para o setor das artes cênicas”, afirma.

Para Amanda, criar espaços onde artistas possam discutir estratégias de circulação e comercialização é também uma maneira de assegurar a continuidade da própria produção cultural. “Iniciativas como o Cena em Movimento são muito importantes para a nossa área porque abrem esse diálogo, que é muito necessário e urgente para a gente começar a ter meios financeiros de se manter”, destaca.

A equipe da segunda edição do Cena em Movimento conta com Alexandre Simioni, na coordenação geral; Gerson Bernardes, na produção; Amanda Menezes Freire, na produção executiva; e Renata Ichisato, na gestão administrativa. O artista e gestor Eddie Mansan participa da curadoria, desenvolvendo as diretrizes curatoriais em colaboração com a equipe do projeto.

Programação artística

Grita Cia de Palhaças – foto Fabio Alcover

Além das atividades voltadas à formação e aos negócios, o Cena em Movimento mantém uma programação cultural com espetáculos gratuitos, sempre às 19h30, na Vila Triolé. A abertura será no sábado (15), com a Grita Cia de Palhaças, que apresenta o espetáculo As Multidançarinas. No domingo (16), a Triolé sobe ao palco com Subsolos.

Na segunda-feira (17), a artista Nara Motta apresenta Lori Lamby é uma Banana. A programação continua na terça-feira (18) com o Coletivo Mulheres que Migram, responsável pelo espetáculo Mulheres Valentes em Voo. Na quarta-feira (19), o Teatro do Alvorecer apresenta O Soldado, a Tigresa e uma Outra História. Na quinta-feira (20) é a vez da Cia MoonLight, com Aséstral. Encerrando a programação artística, na sexta-feira (21), a Cia Solagasta apresenta Devaneios Inexequíveis.

Além dos espetáculos, o público e a comunidade artística poderão acompanhar mostras de trabalhos e rodadas de negócios no período da manhã, na Vila Triolé. Participam dessas atividades os grupos MoonLight, Deriva, Teatro do Alvorecer, Nara Motta, Cia AMMA, Grita, Semeia Vento e Cia Solagasta, além de projetos de dança e intervenções de rua.

Paralelamente, o Museu de Artes recebe encontros e mentorias voltados à formação, planejamento e troca de experiências entre os profissionais. Participam das mentorias Triolé, Grita Cia de Palhaças, Semeia Vento, Grupo Nós, Cia AMMA, Cia Clac e Coletivo Deriva. As atividades no Museu serão realizadas nos períodos da manhã e da tarde, ampliando o Cena em Movimento como espaço de formação, intercâmbio profissional, circulação e fruição das artes cênicas.

Toda a programação do Cena em Movimento pode ser consultada no site da ASPA. (www.aspa.art.br)

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