HipHopé Vermelho coloca Londrina no ritmo da cultura urbana

O 14º Festival HipHopé Vermelho Londrina movimenta a cidade entre os dias 14 e 16 de agosto com uma programação gratuita que coloca a dança no centro de um amplo encontro da cultura hip hop. Batalhas de MCs, competições de breaking, locking e open style, apresentações coreográficas, workshops, DJs, graffiti e feira urbana ocupam o Londrina Norte Shopping e o Espaço Villa Rica, reunindo artistas locais e convidados de diferentes regiões do país.

Realizado pelo Coletivo HipHopé Vermelho, o festival chega à 14ª edição mostrando também o crescimento das danças urbanas em Londrina. A produção e organização são conduzidas por Francielle Thomaz, MC Rei e Thais Thomaz, em uma edição que combina formação, competições, intercâmbio artístico e espaços para novos talentos.

Um dos idealizadores do evento, MC Rei aponta o aumento da participação nas competições coreográficas como um dos sinais dessa evolução. Segundo ele, enquanto a edição anterior recebeu 11 inscrições de companhias de dança, neste ano foram registradas 27 coreografias, com grupos de Londrina e de outras regiões do país. “Eu vejo uma grande evolução. São 14 anos nessa luta. No ano passado tivemos 11 inscrições das companhias de dança e, neste ano, tivemos que fechar as inscrições antes, porque já chegamos a 27 coreografias”, afirma. Para o produtor, esse crescimento acompanha um momento de fortalecimento da própria cena londrinense, que conta com diferentes eventos, batalhas, projetos e iniciativas independentes.

A programação começa na sexta-feira (14), no Londrina Norte Shopping, com abertura oficial às 18h30 e as batalhas de rimas. Entre os destaques está a Batalha de MCs 3×3, na qual trios disputam confrontos eliminatórios avaliados por critérios como criatividade, improvisação, flow, métrica, punchline, musicalidade, presença de palco e trabalho em equipe. A final será realizada no sábado (15), no Espaço Villa Rica, e o trio campeão receberá R$ 1 mil e troféu.

Dança como espaço de expressão e formação

As danças urbanas ganham protagonismo durante os três dias de festival. A programação reúne competições de Open Style, Breaking e Locking, além das disputas coreográficas nas categorias Kids, Juvenil e Avançado.

Para o dançarino e jurado Eduardo Tomaz, participar desta edição tem também um significado pessoal. Foi no HipHopé Vermelho que ele viveu sua primeira experiência em um festival de hip hop como coreógrafo, quando tinha apenas 13 anos. Agora, retorna ao evento ocupando uma cadeira no júri. “Foi o meu primeiro festival de hip hop como coreógrafo, quando eu tinha 13 anos, e hoje estar como júri é um sinal de que as coisas estão caminhando para o lugar certo. Isso me deixa muito feliz e honrado”, conta.

Na avaliação das coreografias, Eduardo diz que estará atento especialmente à identidade dos grupos. “Estou esperando muita originalidade. Como coreógrafo e artista, prezo muito por ter uma marca registrada”, explica. Aos jovens competidores, deixa um conselho que vai além do domínio técnico: “Dancem. Além da técnica, dancem. A gente precisa ver dança, não só técnica. Deixem o corpo falar, deixem o sentimento sair.”

No sábado (15), às 15h, o Kombat Open Style 3×3 coloca equipes de três integrantes frente a frente. Musicalidade, criatividade, técnica, performance, presença de palco, originalidade e resposta ao adversário estão entre os critérios. O trio vencedor receberá R$ 1,5 mil e o Troféu Festival HipHopé Vermelho Londrina.

Já no domingo (16), a programação inclui a Batalha de Breaking 2×2, prevista para começar às 14h30. A banca de jurados terá Bboy Furlan, BGirl Debb Killa e Bboy LuanSan. A dupla vencedora receberá R$ 1 mil e troféu.

Um dos principais nomes femininos do breaking nacional, a dançarina e arte-educadora Debb Killa (Débora Martins) destaca que, em uma disputa de duplas, não basta avaliar individualmente técnica, criatividade e musicalidade. “O que eu mais observo, além da técnica, musicalidade, criatividade e originalidade, é a conexão dessa dupla”, afirma. Para ela, a capacidade de manter a identidade individual e, ao mesmo tempo, complementar o parceiro pode decidir uma batalha. “Se a dupla está conectada, conseguindo ser ela mesma, mas um complementando o outro, isso é muito essencial.”

O domingo terá ainda a Batalha de Locking, que contará entre os jurados com Frank Ejara, referência das danças urbanas no Brasil. O vencedor receberá R$ 1 mil, além de brindes.

Hip hop para além da competição

Festival Hip Hopé Vermelho

Embora as batalhas tenham grande destaque, o festival procura apresentar ao público a amplitude da cultura hip hop. Para MC Rei, reunir diferentes linguagens é fundamental para que artistas tenham espaços de visibilidade e para que o público compreenda a diversidade existente dentro do movimento. “O hip hop é grande, abrange muitas coisas. Quantos estilos de dança existem dentro do hip hop? São inúmeros”, observa. “Acho muito importante mostrar cada coisa que existe dentro do hip hop para que a cena se fortaleça. Tem vários artistas que estão aí, mas não aparecem na vitrine. Então é uma chance de mostrar seu trabalho, seja na arte, dançando ou rimando.”

Essa diversidade aparece também na Feira Urbana, que reúne moda, streetwear, acessórios, produtos autorais e criadores independentes, e na ExpoGraffiti, com participação do coletivo Eco House Ateliê. Os DJs completam a ocupação dos espaços, incluindo momentos de cypher abertos à participação dos dançarinos.

Entre os convidados está o DJ Batata’Killa, que iniciou sua trajetória no hip hop em 1998 como Bboy e também passou pelo MC e pelo graffiti antes de se dedicar às pick-ups. DJ e produtor desde 2011, venceu o Beat Clash em 2022 e realizou sua primeira apresentação internacional em Santiago, no Chile, em 2023.

Intercâmbio fortalece a cena londrinense

Workshops do Festival Hip Hopé Vermelho

A presença de artistas e competidores de diferentes estados é outro elemento que vem ampliando o alcance do HipHopé Vermelho. MC Rei destaca que o número de inscrições nas batalhas de breaking, locking, open style e rima demonstra que o festival ultrapassou as fronteiras locais. “Estão vindo pessoas de várias regiões do país, pessoas que a gente desconhecia, e é legal perceber que o festival chega até elas”, afirma. “A gente conta com muitas pessoas da cena local, mas também traz nomes grandes, e esse intercâmbio só faz crescer.”

O encontro entre gerações e experiências também é apontado por Debb Killa como parte essencial da própria cultura do breaking. Para a BGirl, a maior visibilidade conquistada pela modalidade nos últimos anos trouxe novas possibilidades, mas também o desafio de preservar os espaços de convivência e troca para além das competições. “Eu sou de uma geração em que, independentemente de competir ou não, ia para um evento para dançar, se divertir, conhecer pessoas e trocar com elas”, lembra. Para ela, combater o individualismo e manter esse espírito coletivo é um dos principais desafios para a nova geração de B-Boys e B-Girls.

Workshops gratuitos aproximam artistas e público

Festival Hip Hopé Vermelho

A formação também integra a proposta do festival. Os workshops são gratuitos e voltados tanto a quem já pratica danças urbanas quanto a pessoas interessadas em iniciar contato com essas linguagens. As vagas são limitadas.

Entre os convidados está Vini Azevedo, dançarino, professor, intérprete e coreógrafo com mais de 20 anos de trajetória no Hip Hop, Popping, Animation e Roboting. Também participam das atividades formativas Natália Ferli, dançarina, performer e instrutora ligada às danças urbanas, e Inara Ramos, bailarina, coreógrafa, professora e pesquisadora com experiências profissionais na Alemanha, Portugal, Holanda e França.

A gratuidade das oficinas, competições e acesso do público é defendida pela organização como uma forma de democratizar a cultura urbana. “É um evento totalmente gratuito, sem custo algum para o público”, destaca MC Rei. Segundo ele, os mecanismos de incentivo, patrocinadores e parceiros permitem trazer profissionais reconhecidos e, ao mesmo tempo, manter todas as atividades acessíveis. “A gente consegue manter gratuito e fazer cada vez maior. A gente recebe para produzir, mas também entrega um trabalho com excelência, porque o público merece. A capital dos festivais merece esse festival de hip hop em Londrina”, afirma.

Ao reunir competidores experientes, novos artistas, professores, DJs, grafiteiros, MCs e público em torno da dança e da cultura urbana, o HipHopé Vermelho reforça um movimento construído coletivamente ao longo dos últimos anos em Londrina. Mais do que revelar vencedores, a proposta é criar espaços de encontro, circulação e formação capazes de fortalecer uma cena que se renova a cada geração.

O 14º Festival HipHopé Vermelho Londrina integra os projetos culturais contemplados pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC). A edição de 2026 conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, PROMIC e Itaipu Binacional.

SERVIÇO:

14º Festival HipHopé Vermelho Londrina
Quando: 14, 15 e 16 de agosto de 2026
Locais: Londrina Norte Shopping (R. Américo Deolindo Garla, 224 – Jd. Pacaembu) e Espaço Villa Rica (Rua Piauí, 211 – Bloco Cinema – Centro)
Programação: batalhas de MCs, Breaking, Locking, Open Style, competições coreográficas, workshops, DJs, ExpoGraffiti e Feira Urbana
Entrada: gratuita
Workshops: gratuitos, com vagas limitadas

Inscrições: gratuitas. Informações, programação completa e links para inscrições estão disponíveis no Instagram oficial do Festival HipHopé Vermelho Londrina.

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