Uma trajetória que começou nos porões da cena alternativa de Londrina, atravessou mudanças de formação, um hiato de dez anos e diferentes gerações do rock local chega às três décadas ainda produzindo música. A The Cherry Bomb comemora 30 anos neste sábado (19), às 20h, com show no Bar.bearia (Rua Benjamin Constant 1614), no Centro. A apresentação, realizada pelo Festival Paraíso do Rock e Londrix, terá entrada gratuita, com colaboração espontânea, e repertório que percorre diferentes fases do trio.
Formada em 1996, a The Cherry Bomb construiu uma das trajetórias mais duradouras do rock independente londrinense. Quando gravar e distribuir um trabalho autoral dependia de selos, produtores, casas de shows e uma rede formada muitas vezes pelos próprios músicos, o grupo colocou em circulação a demo “Sad Songs for Happy Girls” (1996) e, no ano seguinte, o LP “Bombs to You”. O álbum saiu em vinil com 14 faixas e produção realizada com a colaboração de amigos — um retrato da lógica “faça você mesmo” que movimentava o underground da época.
Para Rods Amadio, vocalista e baixista, essa relação com Londrina permanece no centro da identidade da banda. “A gente tem essa conexão especial com a cidade. Quase todas as músicas mais antigas são inspiradas em vivências e experiências locais”, afirma. Ele lembra que a circulação da música independente antes das redes sociais dependia essencialmente da presença física. “Em 96 você tinha que estar lá. As coisas ainda não surgiam na tela do celular, mas no cartaz, nos telefonemas e no boca a boca.”
A persistência levou a banda para além do circuito local. A The Cherry Bomb dividiu palcos com nomes como Buzzcocks e Backyard Babies e, em 2001, tocou em Londrina com Pete Shelley, vocalista e guitarrista dos Buzzcocks, que participou de um set dedicado às músicas da banda britânica. Em 2003, o grupo lançou “Disconnected Satellites”, reforçando uma sonoridade construída entre punk, rock de garagem e referências dos anos 1960 e 1970.
Segundo Rods, a continuidade foi fundamental para a criação de uma identidade própria. “De 1996 a 2006, a gente não parou, mesmo mudando de formações. Acho que ter continuado ajudou a gente a criar uma identidade musical dentro do nosso punk rock, rock’n’roll.”
Depois de cerca de uma década de hiato, a banda retomou as atividades em 2015. O reencontro não ficou restrito à nostalgia. Em 2024, lançou em vinil “The Glimpse”, sexto álbum de estúdio, com dez faixas gravadas no High Voltage Studio e masterizadas por Timothy Stollenwerk, nos Estados Unidos.“A essência é basicamente a mesma. As piadinhas e os dramas se sofisticaram um pouco. A gente tinha 18 e agora beira os 50”, brinca Rods. “A banda sempre manteve sua integridade e suas características, mas evoluímos bastante musicalmente e ampliamos o espectro de influências.”
Hoje formada por Rods Amadio (voz e baixo), Coy Scaburi (guitarra) e Lucas Ricardo (bateria), a The Cherry Bomb chega aos 30 anos como parte viva — e ainda atuante — da história independente de Londrina. Mais que revisitar o passado, o show deste sábado celebra uma banda que continua encontrando motivos para subir ao palco. “A gente ainda precisa estar perto das pessoas para as coisas acontecerem”, resume Rods.

SERVIÇO:
The Cherry Bomb — 30 anos
Data: sábado, 19 de setembro
Horário: 20h
Local: Bar.bearia — Rua Benjamin Constant, 1614, Centro, Londrina
Entrada: gratuita, com colaboração espontânea
Realização: Festival Paraíso do Rock e Londrix


