Artistas têm até o dia 20 para se inscrever no Projeto Brisa

Projeto Brisa - Foto Fabio Alcover

A sexta temporada do Projeto Brisa: Saraus Artísticos está com edital aberto até dia 20 de março para a seleção de artistas e oficineiros. Este projeto, realizado pela Funcart, conta com o patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social. Desde 2018, o Brisa tem promovido encontros que conectam artistas locais a públicos em situação de vulnerabilidade social, que historicamente estiveram distantes dos equipamentos culturais da cidade.

No decorrer das temporadas, o projeto consolidou um formato que combina oficinas formativas e saraus, criando espaços essenciais de expressão, escuta e convivência. Em 2026, a programação contará com três frentes principais: oficinas criativas, os tradicionais Saraus Artísticos no Centro POP e o espetáculo “Brisa Convida”, momento em que o público é levado a uma sala de apresentações para assistir a um espetáculo artístico.

Ações Confirmadas e Novas Parcerias

Entre as atividades já confirmadas para este ano está a Oficina Rádio Brisa, em parceria com a Rádio Alma Londrina. A atividade propõe a criação colaborativa de um programa de rádio, estimulando o fortalecimento da escuta e a expressão de vozes que raramente encontram espaço nos meios tradicionais. Outra novidade é a Oficina de Fanzine, realizada com o Coletivo Grafatório para a produção de material gráfico autoral, previsto para circular em agosto, durante a Semana da Luta da População em Situação de Rua. Além dessas parcerias, o edital selecionará nove propostas: duas oficinas (grafite e dança), seis atrações para os saraus e um espetáculo para o “Brisa Convida”, previsto para dezembro, no aniversário de Londrina.

Oficina Alma Projeto Brisa divulgaçao

Cronograma e Inscrições

As inscrições devem ser feitas via formulário on-line. O resultado será divulgado até 25 de março nos canais oficiais do projeto. As atividades começam em abril com a Oficina de Grafite, voltada à criação de um mural colaborativo no Centro POP. Em junho, ocorre a Oficina de Dança integrada ao sarau junino, enquanto em outubro um sarau especial será realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura. A divulgação do resultado acontece até 25 de março, nos canais do Projeto Brisa (site e redes sociais).

A programação começa em abril, com a Oficina de Grafite, nos dias 13 e 14 com o objetivo da criação de um mural colaborativo nos muros do Centro POP. Em junho, no dia 16, acontece a Oficina de Dança integrada ao Sarau dedicado ao período das Festas Juninas. Em agosto, no dia 18, o Brisa integra a programação da Semana da Luta da População em Situação de Rua, com diversas atividades, entre elas, a Oficina em parceria com o Coletivo Grafatório. Em outubro, está programado um Sarau especial, junto com a Secretaria Municipal de Cultura, em local a ser definido. A temporada termina em dezembro com o “Brisa Convida” e um espetáculo apresentado em um espaço cultural da cidade.

Todas as atividades do Brisa 2026 devem acontecer prioritariamente no período da manhã, no Centro POP de Londrina, fortalecendo o vínculo entre artistas e o público atendido pelo serviço.

Projeto Brisa – Foto Fabio Alcover

A Cultura como Estratégia de Cuidado

Mesmo diante de um cenário de redução orçamentária, o Brisa mantém sua regularidade, destinando R$ 14 mil em cachês artísticos. Para o produtor executivo João Ribeiro, a permanência do projeto é uma posição política. “Manter um projeto cultural de caráter continuado é afirmar que a cultura também é parte do cuidado”, analisa.

A sexta temporada marca uma consolidação da parceria com o Centro POP e traz desdobramentos importantes. Ao longo dos anos, ficou claro para os idealizadores, a potência das Oficinas Criativas e Formativas, entendidas como espaços de provocação artística e descoberta de outras formas de expressão. “A experiência da Oficina Rádio Brisa no ano passado foi muito forte nesse sentido. O programa construído coletivamente mostrou como a linguagem do áudio pode abrir espaço para narrativas que muitas vezes não encontram escuta”, afirma. A expectativa é que a oficina de fanzine trilhe o mesmo caminho. “A parceria com o Grafatório, já prevista desde a submissão do projeto, nasce justamente dessa intenção de integrar iniciativas culturais e ampliar o acesso desse público a outras linguagens. O material produzido deverá circular nas ações de agosto, fortalecendo o caráter coletivo e autoral do projeto”, destaca Ribeiro. O Sarau a ser realizado em data e local indicados pela Secretaria Municipal de Cultura representa, na opinião do produtor, um novo movimento de articulação com o setor de ação cultural e amplia a presença do Brisa para além do Centro POP.

A renovação do BRISA em 2026 representa permanência, continua o produtor. “E permanência, hoje, é uma posição política. Em um cenário de redução de recursos, descontinuidade de equipamentos da rede socioassistencial e concentração de demandas no Centro POP, manter um projeto cultural de caráter continuado é afirmar que a cultura também é parte do cuidado”, analisa. Ribeiro conta que já na primeira reunião de alinhamento deste ano com a equipe do Centro POP, ficou evidente a importância de iniciativas que assumam responsabilidade regular com esse público. “Assistentes sociais são frequentemente sobrecarregados por múltiplas frentes de atendimento, e o Brisa se destaca justamente por ser uma iniciativa da cultura, financiada pela cultura, que atua de forma estruturada e contínua”, analisa. O desafio para os proponentes esse ano é fazer o projeto acontecer mesmo com o orçamento reduzido, sem perder qualidade e vínculo. “Isso exige mais planejamento, mais parceria e mais articulação, mas também reafirma o que é essencial: o encontro e a escuta”, sentencia.

Projeto Brisa – Foto Fabio Alcover

Papel Simbólico

O vínculo com os assistidos também é um ponto de força do Projeto Brisa. “A receptividade se constrói com o tempo. Quando um projeto retorna ao mesmo espaço, com regularidade, ele deixa de ser algo pontual e passa a fazer parte da rotina. O Brisa já não é uma surpresa eventual no Centro POP; é um momento esperado. As oficinas, em especial, têm mostrado como a arte pode abrir outras formas de expressão. Muitas vezes, ao se depararem com uma provocação artística, os participantes encontram modos de falar sobre experiências que não conseguiriam abordar em outros contextos. A rádio foi um exemplo muito claro disso, e esperamos que o grafite, a dança e o fanzine também ampliem essas possibilidades”, comenta.

Para a cidade, relaciona Ribeiro, o projeto também cumpre um papel simbólico importante: afirmar que a população em situação de rua não está fora da cultura. “A continuidade é o que transforma essa afirmação em prática concreta”, completa sem deixar de destacar a articulação institucional que sustenta o projeto formada pela Funcart, Secretaria Municipal de Cultura, Promic e Secretaria Municipal de Assistência Social. “O Brisa só existe porque há esse diálogo entre cultura e assistência. Também é relevante reforçar a importância de integrar projetos culturais da cidade que tenham estrutura consolidada, como a Rádio Alma Brasil e o Grafatório, criando uma rede que compartilhe responsabilidade e amplie o acesso a diferentes linguagens artísticas”, diz.

Em um contexto político em que muitas vezes predominam abordagens centradas apenas no controle ou no contingenciamento de recursos, o Projeto Brisa reafirma uma perspectiva baseada em presença, vínculo e continuidade. Mais do que ampliar escala, a sexta temporada vai partir em busca do aprofundamento das relações humanas e institucionais.

 

Texto Assessoria de Imprensa: Janaína Ávila

Memórias de um Vilão do Centro de Londrina