Exposição fotográfica mostra a força da criatividade negra

O Campus da Universidade Estadual de Londrina recebe até o final de março o projeto expográfico “Visões da Genialidade Cultural Negra”, idealizado pelo fotógrafo e diretor criativo João Junior.  Depois de uma temporada no Sesc Cadeião, a mostra chega à réplica da primeira Igreja Matriz de Londrina (CCH-Cultural) com as fotos de personalidades de Londrina, em uma celebração imagética da força criativa da comunidade negra. O trabalho dá visibilidade à potente e diversa produção artística afro-brasileira presente na cidade. O convite para ocupar o espaço veio do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica Enezila de Lima, o NDPH, da UEL. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h e aberta a toda a comunidade.

João x Alice – Foto Joao Junior

Através das imagens ricamente construídas pelo artista, o talento e a contribuição na arte em diversos setores de cada um dos protagonistas. A exposição inicia com um autorretrato do próprio artista, na cena de um crime. Essa imagem é o ponto de partida para a construção de outras perspectivas para o público visitante que começa a percorrer o cenário onde as outras imagens estão expostas.

Ste – Foto João Junior

Personagens desse percurso, o designer gráfico João Carlos, a modelo Alice Vieira, a body piercer e artista da modificação corporal, Stefani Zingaro, a artista plástica e estilista Marielle Matterazzi, a designer de moda Manu Oliveira, o motion designer Paulo Brasil, o diretor de videoclipe Igor Henrique da Veiga Barbosa, mais conhecido como Cria da Rua, a dançarina Mariana Camilo e as produtoras culturais Sandra Aguillera e Juuara Juareza Barbosa dos Santos.

Mari C – Foto João Junior

Do “Crime” ao Reconhecimento Artístico

De acordo com o artista, a presença da exposição marca um novo ciclo do projeto. No anterior, em mostra no Sesc Cadeião entre dezembro e janeiro, o público era convidado a participar de uma investigação. “A cenografia remetia a um espaço de apuração, no qual as imagens apareciam como arquivos em análise. A metáfora colocava os artistas sob suspeita simbólica, tensionando a forma como corpos e produções negras foram historicamente enquadrados. Aqui, parte-se da premissa de que a investigação foi concluída através do novo enquadramento espacial e simbólico”, explica João Júnior. Os arquivos, antes apresentados como indícios, agora são documentos consolidados e as fotografias, organizadas formalmente no espaço. “A linguagem expositiva desloca a percepção: já não se trata de observar possíveis evidências, mas de reconhecer obras de arte”, afirma o artista. A proposta evidencia como o contexto altera a leitura, na opinião do fotógrafo. “Um mesmo corpo pode ser associado à marginalidade quando situado sob a lógica da suspeita, assim como pode ser reconhecido como produção artística quando inserido em um espaço institucional legitimado”, completa.

Cada fotografia foi fundamentada em três eixos conceituais: Identidade e Presença, Genius Loci (o espírito do lugar negro) e Futuro e Inspiração. Os visitantes são convidados a atuar como um “júri”, não para decidir culpa, mas para refletir sobre os critérios históricos que determinam quem é visto como ameaça e quem é reconhecido como gênio, do que é ameaça e o que é arte. De acordo com o artista, esse é o verdadeiro sentido por trás de cada fotografia, pensadas para abordar intrinsecamente a arte de cada indivíduo. “A alteração cenográfica demonstra que o julgamento não está nas imagens, mas nos enquadramentos que construímos sobre elas”, completa João Junior. Mais informações no Instagram do projeto: @projetovisoes

Exposicão na UEL – Divulgação

Serviço: Exposição fotográfica “Visões da Genialidade Cultural Negra” de João Junior

Até 31 de março

Réplica da réplica da primeira Igreja Matriz de Londrina (CCH-Cultural)

Campus Universitário

Horário de visitação:  de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Gratuito

Classificação indicativa: livre

Projeto aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura – Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de fomento à Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal.

 

Texto Assessoria de Imprensa: Janaína Ávila

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