Londrix celebra 21 anos fazendo da literatura um lugar de encontro

Ademir Assunção - foto divulgação
Ademir Assunção - foto divulgação

A literatura como ponto de encontro entre pessoas, gerações e diferentes linguagens volta a ocupar Londrina a partir desta quinta-feira (17). Até domingo (20), o Festival Literário de Londrina — Londrix realiza sua 21ª edição com escritores, poetas, músicos e artistas reunidos em uma programação de debates, oficinas, feira de livros, shows e economia criativa. As atividades acontecem principalmente no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss e no Rocha’s Bar.

Chegar aos 21 anos significa também revisitar uma história iniciada em 2005. Desde então, o Londrix atravessou transformações na literatura, na cidade e na maneira como as pessoas consomem cultura, mas preservou uma ideia que acompanha o festival desde o começo: tirar o livro de seus espaços habituais e aproximá-lo da vida cotidiana. “Começamos lá em 2005 com o desejo de criar um espaço de encontro entre escritores, leitores e a própria cidade”, lembra a diretora do festival, Christine Vianna. “Ampliamos as linguagens, os públicos, os territórios e as formas de fazer a literatura circular. Mas uma coisa permanece: a ideia de que a literatura precisa estar próxima das pessoas.”

Essa trajetória ajuda a explicar o mote escolhido para 2026: “Do ontem, o eco que move o agora e caminha para o futuro”. O símbolo desta edição é o pássaro Sankofa, referência de matriz africana associada ao movimento de olhar para o passado e recuperar aquilo que pode contribuir para a construção do futuro. “O Sankofa traz uma ideia muito bonita. Olhar para trás não para ficar preso ao passado, mas para buscar nele aquilo que pode nos ajudar a caminhar para frente”, explica Christine. Segundo ela, a curadoria procurou revisitar a própria história do Londrix e da literatura produzida em Londrina e no Paraná, colocando essa memória em diálogo com a produção contemporânea.

Um dos encontros entre passado e presente aparece na homenagem ao jornalista e poeta Ademir Assunção. Ligado à história cultural de Londrina e dono de uma produção marcada pelo diálogo entre diferentes linguagens, o escritor retorna simbolicamente à cidade como personagem central desta edição. “Ele faz parte de uma geração que ajudou a construir uma literatura contemporânea, inquieta, experimental e muito conectada com seu tempo”, afirma Christine. “A obra do Ademir carrega essa força de invenção, de liberdade e de diálogo com diferentes linguagens.”

Décio Caetano - foto Luiz Rodrigues
Décio Caetano – foto Luiz Rodrigues

Além de Assunção, a programação reúne nomes como Silvana Tavano, Adriana Vieira Lomar, Luiz Antonio Simas, Rodrigo Garcia Lopes, Karen Debértolis e Daniel Minchoni. O Museu Histórico recebe rodas de conversa, atividades literárias e a Feira de Livros Londrix e FLIL. Já o Rocha’s Bar concentra a programação musical, com Bernardo e o Bando, Farol Negro, Saco de Ratos, Tudo Sagrado, Décio Caetano e Banda, Slam Pé Vermelho e Samba Ancestral. A Londrix Okupa completa a agenda com produções autorais e independentes.

Depois de mais de duas décadas, permanecer é também um desafio. Para Christine, manter um festival independente exige reinvenção sem abandonar aquilo que lhe deu origem. “A identidade do Londrix não está em repetir o que fizemos, mas em manter vivo aquele desejo de 2005: fazer da literatura um lugar de encontro.”

SERVIÇO:
21º Festival Literário de Londrina – Londrix

Quando: 17 a 20 de setembro de 2026

Onde: Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss (R. Benjamin Constant, 900 – Centro) e Rocha’s Bar (R. João Pessoa, 50A – Jardim Agari)

Programação completa: www.londrixfestival.com.br

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