A cantora, compositora e artista independente Rhai apresentou ao público seu novo EP, Face Card, no bar Fodeu by Raze, no mês de julho, na festa de audição prévia em colaboração com Front 043 e produção executiva Gabriela Castro. O trabalho representa uma nova fase na trajetória da artista ao unir rap, drill, jersey club, reggae e música eletrônica com referências da cultura ballroom, movimento criado por comunidades negras e LGBTQIA+ de Nova York que se tornou símbolo de resistência, identidade e diversidade. A estreia no festival reforçou a proposta de integrar música, dança e performance, em parceria com o coletivo de danças urbanas FRONT43.
Natural de Londrina, Rhai iniciou sua carreira autoral em 2020 com o lançamento do single Com Você. Desde então, vem consolidando uma identidade artística marcada pela mistura de sonoridades urbanas, vocais expressivos e composições que dialogam com pertencimento, representatividade e vivências da periferia.
Segundo a artista, o conceito de Face Card surgiu a partir de um aprofundamento em novas referências musicais e da aproximação com a cultura ballroom. “Nas minhas últimas produções tenho me aproximado da música eletrônica, UK Garage e House. São estilos muito dançantes e que criam uma troca muito forte com o público nos shows. Quando o Lucas Bin entrou no projeto, tudo fluiu muito rápido. As referências da ballroom vieram do meu encontro com essa cultura e a estética acabou se consolidando de forma natural”, explica.

A produção do EP é assinada por Lucas Bin, produtor musical, engenheiro de som e beatmaker ligado ao selo RECAPS Label. Conhecido por trabalhos com artistas como Kayode e Nvk, o produtor contribuiu para construir uma sonoridade contemporânea que aproxima elementos eletrônicos da força do rap e evidencia a personalidade artística de Rhai.
Mais do que uma proposta estética, Face Card também carrega um posicionamento sobre valorização cultural e representatividade. A cantora afirma que busca inspiração em artistas mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTQIA+, além de gêneros musicais que nasceram em contextos periféricos e, durante muito tempo, não foram reconhecidos como expressão artística legítima. “Esses estilos nasceram em periferias e em espaços onde muitas vezes não eram considerados arte suficiente. O ballroom representa exatamente essa resistência. Aqui em Londrina existe uma produção muito potente que merece mais reconhecimento. A gente precisa questionar os padrões do que é considerado belo e valorizar outras estéticas. Face Card fala justamente dessa afirmação, dessa valorização de outras belezas e da apropriação de um gênero musical criado por pessoas negras, que hoje muitas vezes se tornou elitizado”, destaca.
A artista acrescenta que sua identidade musical foi sendo construída a partir das próprias experiências. “Fui amadurecendo essa identidade a partir das minhas vivências como mulher negra e integrante da comunidade LGBTQIA+. Quando a gente se sente pertencente, consegue transmitir esses sentimentos de forma verdadeira.”
O EP também foi apresentado durante a nona edição do Festival Dobra, um dos principais eventos multidisciplinares de Londrina voltados à produção cultural independente. Para Rhai, estrear o novo trabalho nesse espaço teve um significado especial. “Era um desejo antigo me apresentar na Dobra. Quando surgiu essa oportunidade, aceleramos o lançamento do EP para poder dividir esse momento com o público. Desde 2024 também me apresento com o FRONT43, um coletivo que admiro muito pelo trabalho de formação e incentivo a outros artistas da cidade. Ver a reação das pessoas às músicas novas, mesmo antes de conhecerem o EP, foi muito importante e mostrou uma aceitação muito positiva”, afirma. Ao lado do FRONT43, a apresentação ampliou o diálogo entre música, dança e performance, elementos que se tornaram parte essencial da proposta artística de Face Card.
O novo trabalho também representa um passo importante na consolidação da carreira da cantora. Rhai acredita que a expansão do público depende tanto da presença nas plataformas digitais quanto do contato direto com a audiência. “As redes sociais ampliaram muito as possibilidades de alcançar novas pessoas, mas nada substitui a troca que acontece nos shows. A música independente também é um trabalho e precisa de divulgação e distribuição para chegar ao público. Meu objetivo é continuar acreditando na música que faço, utilizar essas ferramentas a nosso favor e seguir levando o Face Card para cada vez mais espaços”, conclui.


