Londrina ganha vida em espetáculo grandioso

O Ballet de Londrina estreia esta semana um dos maiores espetáculos de sua trajetória de três décadas. E a motivação não poderia ser mais especial: revisitar a história da cidade e preparar as comemorações do centenário. Com coreografia de Alex Soares e baseado em obra homônimo de Renato Forin Jr., “A vida é um dia” leva para cena, junto da dança contemporânea, texto, música ao vivo interpretada pela Orquestra Bravi, cenários e figurinos muito especiais. A montagem personifica Londrina em uma mulher e convoca o público a vivenciar seus júbilos e traumas, e a passear por suas paisagens modernas e tradicionais. A temporada de estreia acontece na quarta, quinta e sexta (dias 19, 20 e 21 de agosto), sempre às 20 horas, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), com ingressos promocionais a R$ 20 (meia-entrada para todos) vendidos pelo Sympla: https://www.sympla.com.br/produtor/funcart . Após a zero hora do dia 19, os ingressos passam para o valor normal de R$40, com direito à meia-entrada apenas para os beneficiários legais. A autoclassificação indicativa é de 14 anos. A realização é da Fundação Cultura Artística de Londrina (FUNCART) e da Secretaria Municipal de Cultura, com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina e da BCALDI – Além das Fachadas. A montagem conta ainda com apoio institucional da Casa de Cultura da UEL – Universidade Estadual de Londrina, da Rádio UEL e com apoio cultural do Festival de Dança de Londrina.

Ballet de Londrina – foto Fabio Alcover

“Londrina passou, em menos de cem anos, por eventos muito importantes e específicos, como a colonização britânica, a irrefreável produção cafeeira e a vanguarda artística – que a projetaram para o mundo. E também por dilemas profundos, como a geada de 1975, que mudou repentinamente sua paisagem. Em ‘A vida é um dia’ tudo isso está presente, mas de um ponto de vista íntimo, como se as vivências e as fissuras fossem constitutivas de sua persona. Na obra, as raízes da nossa terra são pensadas de forma mais antiga e profunda, por meio de uma revisão histórica daquele vazio demográfico que supostamente seria o ponto de partida da divisão de terras do norte do Paraná”, explica Renato Forin Jr., que, além do dramaturgismo, assina também a direção artística e cenografia da montagem. A direção da companhia é de Marciano Boletti e a idealização do projeto é da produtora e assistente de direção Danieli Pereira.

A protagonista, uma idosa de 87 anos, inicia seu relato em uma madrugada de 2021, quando está internada em uma UTI, entre a vida e a morte, acometida pela Covid-19. Regressivamente, recua para outras décadas, lembrando eventos que viveu desde o seu nascimento, em 1934. Antes dele, conta sobre a linhagem de sua família, que já habitava a terra. A mulher tem um rosto enigmático e uma voz estranha, sequestrada, que vão sendo revelados até o fim desta saga épica em quatro partes. Tal história, de tão efêmera, cabe no ciclo de um dia – da noite ao amanhecer.

Alex Soares assume o desafio de coreografar os dez dançarinos de diferentes gerações do Ballet de Londrina tanto em momentos de música quanto nos de recital, mas também em átimos de silêncio e de conjugação das duas linguagens. Os movimentos, que carregam a sua indelével assinatura, reforçam a mecânica de ação e reação dos corpos e concebem interessantes formações coletivas que lembram, em alguns momentos, uma geografia ou uma arquitetura em que passeia a protagonista. Soares, que é de São Paulo e atualmente encontra-se radicado na Dinamarca, construiu a coreografia em duas temporadas em Londrina, em novembro do ano passado e em junho deste ano.

“Conceitualmente, quis que o espetáculo trabalhasse com contrastes, o que é característica da personalidade da mulher e, extensivamente, da identidade da babel que é Londrina. Imagine uma cidade, na década de 1950, com prédios de arquitetura modernista arrojada, como os de Vilanova Artigas e Cascaldi, fundados no barro da terra vermelha, onde sequer havia asfalto. Ou ainda o entrechoque da tradição rural dos coronéis falidos pela geada, com um movimento artístico irreverente antenado com produções de metrópoles internacionais”, destaca o diretor artístico. Essas antíteses transparecem nos movimentos ora sinuosos ora mecânicos da coreografia, na teatralidade brutal e sublime, mas também nas cores da montagem, que vão do preto profundo ao branco, passando por tons de chumbo e terra. O figurino, assinado por Cassio Brasil, emprega mais de 50 peças produzidas especialmente para a ocasião – o maior que a companhia já utilizou. As formas persistem, mas a tonalidade dos trajes muda com a passagem das décadas. No cenário, formas concretas lembram, ao mesmo tempo, a arquitetura arrojada da cidade e o legado ancestral da padronagem kaingang, ao passo que a leveza e transparência de tecidos e espelhos estão em fricção com a rudeza da pedra do petit pavé, fechando com coerência a ambiência dos antagonismos.

As músicas autorais são assinadas pelos londrinenses Daniel Simitan e Erisla Pastore e foram compostas na forma de poemas sinfônicos inspirados pelos quatro textos de Renato entre 2020 e 2021, quando participaram do projeto Londrina em 4 Atos, proposto pela Orquestra Bravi. É este mesmo conjunto acadêmico de câmara, formado por instrumentos eruditos de cordas friccionadas, que agora interpreta ao vivo a obra no Teatro Ouro Verde, com regência de Jhonathan Santos. Um projeto que já nasce histórico, unindo criações de uma nova geração de artistas, em interpretações atualizadas e contemporâneas das nossas experiências.

O elenco do Ballet de Londrina é formado por Alessandra Menegazzo, Duda Casagrande, Duda Santos, Gabriel Rosário Rosa, Ione Queiroz, José Villaça, Matheus Nemoto, Vanessa Riga, Viviane Terrenta e Wesley Silva. Os músicos da Orquestra Bravi são João Pedro Santos, Nátalie Nietsche, Isadora Chieko Miyoshi, Daniel Kenzo, Marcelo Ramos, Matheus Taichi Otuyama, Breno Diogo, Fernando Campaner, Rodrigo Salvadego, Miriam Souza, Bruno Sabino, Rose Taques, Jaziel Barros dos Santos, Randy Muñoz e Célio Matias. A produção da Orquestra é de Thalita Alcântara.

SERVIÇO:

A vida é um dia

Ballet de Londrina, com participação da Orquestra Bravi

Data: 19, 20 e 21 de agosto

Hora: 20h

Local: Teatro Ouro Verde – Rua Maranhão, 85, Centro

Ingressos: R$20 + taxa (Aqui)

Classificação indicativa: 14 anos

 

Texto assessoria de imprensa Renato Forin

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