Tetrafônica lança “Código Natureza” e prepara novo EP para 2027

Formada em 2019, a Tetrafônica reúne atualmente Suy Correia (voz e violão), Leonardo Formigoni (bateria e voz), Marcos Basso (baixo e voz) e Thiago Bonamigo (guitarra)
Formada em 2019, a Tetrafônica reúne atualmente Suy Correia (voz e violão), Leonardo Formigoni (bateria e voz), Marcos Basso (baixo e voz) e Thiago Bonamigo (guitarra)

Em meio à velocidade das redes sociais e a uma rotina cada vez mais conectada às telas, a banda londrinense Tetrafônica propõe uma reflexão sobre aquilo que estamos deixando para trás. O ponto de partida é “Código Natureza”, single lançado no dia 25 de setembro, que marca uma nova fase do grupo e antecipa o primeiro EP da atual formação, previsto para o início de 2027. A música foi gravada no estúdio Toque Grave, em Londrina, e já está disponível nas plataformas digitais.

Composta pela vocalista Suy Correia, a canção nasceu de uma inquietação pessoal diante das transformações tecnológicas e das mudanças nas relações humanas. Para a artista, a facilidade de comunicação proporcionada pela internet também trouxe novas formas de distanciamento. “Estamos cada vez mais conectados às telas e redes sociais, nos distanciando gradativamente das coisas simples e essenciais da vida. Existe uma vontade muito forte de questionar tudo isso. Minha geração dos anos 90 passou por mudanças muito bruscas, principalmente tecnologicamente falando. A tecnologia que nos ‘aproxima’ também nos afasta da natureza, das pessoas e de nós mesmos”, comenta Suy.

A relação com a natureza também atravessa as memórias da compositora, que cresceu no interior e mantém uma ligação afetiva com a vida no campo. Essa experiência pessoal ajudou a construir a mensagem da música. “A ideia principal da composição é recuperar a conexão com o que é genuíno. Para mim, que cresci no interior, em contato com a natureza e com a vida no sítio, essa relação também tem um significado afetivo muito forte.”

Um novo momento para a Tetrafônica

Formada em Londrina, em 2019, a Tetrafônica reúne atualmente Suy Correia (voz e violão), Leonardo Formigoni (bateria e voz), Marcos Basso (baixo e voz) e Thiago Bonamigo (guitarra). Depois de um período de pausa, a banda retomou as atividades em 2025, com uma formação renovada e o objetivo de ampliar o espaço das composições próprias.

A sonoridade do grupo passa pelo rock das décadas de 1960 e 1970, pelo folk rock, pela psicodelia e pela música brasileira. Entre as referências estão The Beatles, The Rolling Stones, Fleetwood Mac, Neil Young, Os Mutantes e Novos Baianos. Mas, segundo Suy, a proposta não é simplesmente reproduzir os artistas que influenciaram os integrantes. “Cada integrante contribui com sua própria linguagem e é nesse encontro que as músicas ganham forma. Não queremos simplesmente reproduzir nossas referências, mas usá-las como ponto de partida para construir uma identidade própria”, explica.

A retomada também trouxe mudanças na maneira de trabalhar coletivamente. “Desde a retomada das atividades, em 2025, temos buscado fortalecer esse lado autoral e amadurecer a maneira como trabalhamos coletivamente.”

Gravada no estúdio Toque Grave, “Código Natureza” contou com produção musical de Marco Aurélio Chiara e participação especial de Fábio Caetano nos teclados. O single é o primeiro de uma sequência de quatro músicas registradas pela banda, que serão apresentadas gradualmente ao público.

Os caminhos da música independente em Londrina

A trajetória da Tetrafônica também passa pelos desafios enfrentados por quem decide produzir música autoral em Londrina. Apesar de reconhecer a criatividade e a diversidade da cena local, Suy observa que manter uma banda independente exige dedicação a atividades que vão muito além dos ensaios e apresentações. “Londrina tem uma história musical importante e reúne artistas que continuam produzindo, experimentando e movimentando a cena independente. Existe muita criatividade e gente fazendo trabalhos consistentes, mas sabemos que manter uma banda autoral ativa exige muito mais do que criar e tocar música”, afirma.

Entre os principais obstáculos estão a falta de recursos para gravações, divulgação e circulação, além da dificuldade de encontrar espaços para apresentações. A cantora destaca ainda o acúmulo de funções que costuma fazer parte da rotina dos músicos independentes. “Além de ensaiar, compor e gravar, precisamos lidar com produção, comunicação, redes sociais e distribuição. Muitas vezes, tudo isso fica concentrado somente em nós. É pesado, tem gente que trava no meio do caminho.”

A banda, que já passou por espaços como a Concha Acústica de Londrina, busca ampliar sua presença na cena local e alcançar novos ouvintes por meio dos lançamentos digitais. A estratégia é apresentar as músicas individualmente antes de reunir o material em um EP. “Vamos lançar uma música de cada vez nas plataformas digitais e sentir a febre do público. Gravamos quatro sons no estúdio Toque Grave, de Londrina, para lançar o EP completo no início de 2027. O próximo single, ‘Sobre a Nostalgia’, sai em novembro”, adianta Suy.

Para a vocalista, a continuidade da produção independente depende tanto do envolvimento dos artistas quanto da existência de espaços que permitam a circulação de trabalhos autorais. “A música independente precisa de persistência, parceria e espaços de circulação, mas também de liberdade para existir sem precisar seguir todas as tendências do mercado.”

Enquanto prepara os próximos lançamentos, a Tetrafônica segue construindo seu caminho na música autoral londrinense. Com “Código Natureza”, a banda transforma inquietações sobre o presente em canção e abre espaço para uma nova etapa de sua produção musical.

O single “Código Natureza” está disponível nas principais plataformas digitais.

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