Vozes diferentes que se encontram, respiram juntas e transformam canções conhecidas em uma experiência coletiva. É a partir dessa força do canto coral que o projeto “Um Brasil que Canta e Encanta” chega nesta quarta-feira (2), às 19h30, à Biblioteca Pública Municipal de Londrina. Com entrada gratuita, o Coro Voz Viva apresenta um repertório que atravessa as cinco regiões do país e aproxima o público de ritmos, histórias e memórias da música brasileira.
A apresentação é a nona das dez previstas na terceira edição do projeto, que aposta justamente em aproximar o canto coral do cotidiano das pessoas. O espetáculo tem classificação livre, intérprete de Libras e combina música com intervenções de dança, teatro e instrumentos.
Sob regência da maestrina Rose Andreia Castanho, o Coro Voz Viva apresenta arranjos preparados para o canto coletivo de músicas que fazem parte da memória afetiva de diferentes gerações. A escolha do repertório partiu da ideia de representar musicalmente as cinco regiões brasileiras. “Procuramos, de cada região, duas músicas que fossem referências, seja por serem muito conhecidas e cantadas pelo povo ou pela memória cultural, trazendo a história ou algum artista daquela região”, explica Rose.
Nesse percurso aparecem canções como “Tamba-Tajá”, de Waldemar Henrique; “Dança do Carimbó”, de Pinduca; “O Xote das Meninas”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas; “Carinhoso”, de Pixinguinha e Braguinha; “Canta, Canta, Minha Gente”, de Martinho da Vila; e “Bicho do Paraná”, de João Lopes. O repertório passa ainda pelo sertanejo, samba e outras expressões populares.
Mais do que apresentar músicas, porém, o projeto procura criar encontros. Das dez apresentações desta edição, oito acontecem ao ar livre. Além da Biblioteca Pública, o Museu de Arte de Londrina recebe uma das atividades em espaço fechado. Feiras livres estão entre os locais escolhidos para colocar coralistas diante de pessoas que muitas vezes encontram a apresentação enquanto fazem compras ou simplesmente circulam pela cidade.
Para Rose, levar o coral a esses ambientes ajuda a romper a ideia de que determinadas manifestações artísticas pertencem apenas aos palcos tradicionais. “A arte e a música não devem ficar somente dentro dos teatros e dos espaços fechados. Elas precisam ir para a rua, ir aonde a população está. Muitas vezes, aquela população do dia a dia, da feira ou do Calçadão, nunca teve acesso a um teatro e ali encontra uma oportunidade”, afirma.
A aproximação tem produzido cenas que também surpreenderam os integrantes do coro. Segundo a maestrina, espectadores cantam, batem palmas e dançam durante as apresentações. Algumas pessoas procuraram o grupo depois dos espetáculos interessadas em começar a cantar. “A resposta do público está sendo surpreendente e maravilhosa. As pessoas vêm falar da apresentação, participam com palmas, cantam junto e dançam. Tivemos inclusive pessoas que nos procuraram para entrar no Coro Voz Viva porque gostaram do que viram”, conta.
Fundado em 2021, o Coro Voz Viva reúne pessoas com diferentes trajetórias e níveis de experiência, incluindo integrantes que chegaram ao grupo sem formação anterior em canto. Nos ensaios e apresentações, a técnica vocal divide espaço com convivência, aprendizado e construção coletiva.
É justamente essa possibilidade de participação que Rose considera uma das forças do coral. “É um canto coral acessível às pessoas. É uma oportunidade de aprendizado, de conhecer as diversidades culturais do nosso Brasil e também uma experiência terapêutica. É uma arte que merece chegar a todos os cantos.”
O projeto “Um Brasil que Canta e Encanta – 3ª Edição” é viabilizado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio da Corre Cultura e Arteando Projetos Artísticos e realização do Coro Voz Viva.


