Criar, falar, ouvir a própria voz e descobrir que sua história também merece espaço. É com essa proposta que o Estúdio de Rádio Móvel, da Alma Londrina Rádio Web, retorna nesta quarta-feira (2) ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), em Londrina. Mais do que ensinar como se produz um programa de rádio, a iniciativa utiliza a comunicação como ferramenta de expressão, autonomia e convivência.
O projeto já esteve no CAPS AD no início do ano, quando pessoas atendidas pelo serviço participaram de oficinas e produziram seus próprios podcasts. A nova atividade dá continuidade a uma experiência que aproxima a comunicação comunitária do cotidiano dos participantes e abre espaço para que diferentes histórias, ideias e vivências cheguem ao microfone.
“O Estúdio de Rádio Móvel é uma forma de levar comunicação para além dos estúdios. A gente sai da nossa Vila Cultural e aproxima a rádio das comunidades, dos territórios e, principalmente, das pessoas”, explica o coordenador-geral e de jornalismo da Alma Londrina, Daniel Thomas.
Na oficina, ninguém fica apenas como espectador. Os participantes conhecem as etapas de criação de um programa e experimentam diferentes funções: escolhem assuntos, elaboram perguntas, entrevistam, fazem locução e criam vinhetas e jingles. Depois, têm a oportunidade de escutar o resultado e reconhecer a própria voz naquela produção coletiva.
Para Thomas, o impacto aparece justamente nessa descoberta. “A gente estimula a expressão das pessoas, desenvolve a capacidade de ouvir e de falar em público. Participantes que muitas vezes não têm acesso aos meios de comunicação percebem que também podem produzir comunicação”, afirma.

Ao longo dos anos, o Estúdio de Rádio Móvel tem circulado por escolas, serviços de convivência, CAPS e outros espaços. Cada encontro resulta em programas diferentes, construídos a partir dos interesses e das experiências de quem participa. Mais importante que o produto final, porém, é o processo de criação e troca estabelecido durante as oficinas.
A iniciativa também reforça a origem comunitária da Alma Londrina e a proposta de ampliar quem pode ocupar os espaços de comunicação. “Para a Alma, essa experiência é fundamental porque ajuda a cumprir uma das nossas principais razões de existir: democratizar o acesso à comunicação e criar espaços para que diferentes vozes possam ser ouvidas”, destaca Thomas.

