Praças e espaços públicos de Londrina, Ibiporã e Cambé viram palco nesta quinta (17) e sexta-feira (18) para quatro apresentações gratuitas de “Operárias Flamejantes”, espetáculo de rua da Primavera Jataí. A circulação começa nesta quinta, às 10h, na Praça Marechal Floriano Peixoto, em Londrina, e segue às 17h para a Praça Pio XII, em Ibiporã. Na sexta, a montagem ocupa o Calçadão de Londrina, em frente ao Cine Teatro Universitário Ouro Verde, às 10h, e encerra o percurso às 17h, na Praça Getúlio Vargas, em Cambé.
Mais do que levar o mesmo espetáculo a diferentes endereços, o roteiro aproxima o grupo de cidades vizinhas onde, apesar da proximidade geográfica e cultural, a companhia não costuma se apresentar com tanta frequência. “A gente atua em Londrina e muito mais longe de Londrina, em outras cidades do estado e até em outros estados, e raramente atua no nosso entorno”, conta Den Macedo, criador do espetáculo ao lado de Marina Dasaque. Para ele, passar por Ibiporã e Cambé significa encontrar territórios semelhantes, mas também marcados por suas próprias particularidades.
A escolha das praças também faz parte dessa proposta. O grupo buscou lugares já incorporados ao cotidiano das cidades, com circulação de trabalhadores, famílias, estudantes e outros públicos. “É muito importante encontrar o público que já está no espaço e fazer essa troca com as pessoas do território. O espetáculo faz uma interferência no cotidiano”, explica Den.
E é justamente o cotidiano do trabalho que move “Operárias Flamejantes”. Em cena, Rapariga e Petunio são dois garis-palhaços que chegam para mais um dia de serviço. Entre lixeiras, ferramentas e tarefas a cumprir, a rotina começa a escapar do previsto. Surgem música, dança, acrobacia, brincadeiras, cores e objetos, enquanto os personagens procuram algum espaço para imaginar outras formas de viver.
A dramaturgia nasceu também das inquietações dos próprios artistas sobre o trabalho. “Nós somos trabalhadores da arte de rua. Trabalhamos com música, acrobacia e encanto, mas, para nós, é um trabalho de segunda a segunda, horas a fio. Existe uma contradição aí”, observa Den.
Essa experiência aproxima os artistas de trabalhadores de outras áreas. O espetáculo provoca questões sobre produtividade, descanso, prazer e liberdade, mas sem oferecer respostas prontas. “A gente convida outros trabalhadores a questionarem suas próprias atuações, o quanto elas podem ser transformadoras e encantadoras ou o quanto gostariam que fossem, da mesma forma que a gente se questiona”, afirma.
Durante a pesquisa, os criadores também encontraram histórias de pessoas que conseguem ir além das funções às quais o trabalho muitas vezes parece reduzi-las. “A gente percebe que as pessoas resistem dentro dessas limitações e extrapolam essas limitações. Encontramos isso em trabalhadoras de várias áreas e quisemos trazer esse encanto para dentro do espetáculo”, diz Den.
Com classificação livre, “Operárias Flamejantes” dialoga ainda com A Cigarra e a Formiga, de Jean de La Fontaine, e com a paródia de Millôr Fernandes. A circulação pela região amplia esse jogo entre trabalho e liberdade ao colocar Rapariga e Petunio justamente onde a rotina acontece: no meio da rua e diante de quem passa por ela todos os dias.
A montagem tem concepção e criação de Marina Dasaque e Den Macedo, caracterização de Bianca Baggio, cenografia de Gelson Amaral, projeto de comunicação de Nana Souza e produção da Primavera Jataí.

Serviço:
“Operárias Flamejantes” – Primavera Jataí
Quinta-feira (17)
10h – Praça Marechal Floriano Peixoto – Londrina
17h – Praça Pio XII – Ibiporã
Sexta-feira (18)
10h – Calçadão, em frente ao Cine Teatro Universitário Ouro Verde – Londrina
17h – Praça Getúlio Vargas – Cambé

