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Por que o medo de filmes de terror?

Medo Filmes de Terror Scientia Vulgaris

Por que sentimos medo assistindo aos filmes de terror? O episódio de hoje do podcast Scientia Vulgaris analisa a relação deste sentimento com a atração por estas obras cinematográficas. 

Por que o medo de filmes de terror?

 
 
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Por André Bacchi.

Tudo escuro, a TV ligada e aquele filme de terror passando. Taquicardia, um monte de sensações desesperadoras e um sorriso quando sobe os créditos. Por que temos medo de filmes e jogos de terror, se são “apenas” obras ficcionais? E por que alguns de nós até gostamos disso? 

Há pessoas que amam obras de terror e há pessoas que as odeiam porque morrem de medo. E há aquelas que amam porque morrem de medo. Sentimos medo mesmo sabendo que são obras fictícias (mesmo aquelas baseadas em “fatos” – na verdade relatos – reais). Por que sentimos medo assistindo aos filmes de terror?

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Reações de ansiedade e medo fazem parte, evolutivamente, do nosso organismo. Ansiedade envolve a perspectiva de algo ruim que pode acontecer. Enquanto o medo se relaciona a algo concreto que esteja acontecendo. Nos dois casos temos uma conversa do cérebro e o resto do corpo.

Em situações de medo/ansiedade o corpo é preparado para a resposta de “fuga ou luta”. Os músculos precisam de oxigênio e nutrientes para que você possa lutar ou fugir do perigo/ameaça. Para isso, o sistema nervoso libera substâncias, como adrenalina e noradrenalina. Essas substâncias favorecem o aumento do ritmo e força de contração cardíacos, dilatação dos vasos que permeiam os músculos (e constrição dos demais), dilatação dos brônquios e das pupilas, aumento da glicemia, entre outras respostas. Você está pronto pra lutar ou fugir.

Mas fugir de onde? Do sofá? Lutar com quem? Com o Jason ou o Freddy Krueger?

Medo Filmes de Terror Scientia Vulgaris

Mesmo não sendo necessário, isso ainda acontece. Primeiramente porque os sustos (famosos “jump scares”) ativam esse sistema como se fosse um alarme. Quando o alarme toca, temos que nos preparar para o pior. É a resposta mais imediata. Afinal, se o perigo for real, estamos prontos. Como é fictício, o susto passa e sentimos um alívio agradável. Até rimos da situação: “Nossa, assustei nessa parte kkkk!”. 

Outra situação que colabora para o medo/ansiedade é a empatia pelo personagem na tela. Somos apresentados ao protagonista em situações que fazem com que nos identifiquemos e criemos um certo vínculo (afinal, ninguém liga para os personagens que aparecem e somem do nada). Essa empatia faz com que possamos nos identificar naquela situação. Sentir um pouco “na pele” as aflições do personagem e, assim, responder com as respostas corporais descritas anteriormente aqui. Mas, de novo, isso passa, pois é apenas uma simulação e não uma situação real.

Em resumo: situações de “perigo controlado” podem ser prazerosas para muitas pessoas. Esse “medo seguro” está presente em atividades como, por exemplo, andar em uma montanha-russa ou praticar algum esporte radical. Ou seja, só é divertido pular num “bungee jump” porque existe uma corda.

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