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Dark e o Paradoxo de Bootstrap dos tratamentos para COVID-19

Dark bootstrap Scientia Vulgaris

Dark e o Paradoxo de Bootstrap dos tratamentos para COVID-19. Neste episódio do podcast Scientia Vulgaris, André Bacchi apresenta esta relação da viagem no tempo exibida pela série mundialmente famosa do Netflix com a adoção sem evidências científicas de medicamentos para tratar o novo coronavírus. Confira!

AlmA Londrina Rádio Web
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Dark e o Paradoxo de Bootstrap dos tratamentos para COVID-19
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Por André Bacchi.

O paradoxo do Bootstrap diz que, em um cenário em que a viagem no tempo para o passado seja algo possível, um objeto pode existir sem nunca ter sido criado. 

Como assim, André? Um objeto (ou informação) é enviado até o passado. Pra quem recebe esse objeto ou informação, esse é o tempo presente. E esse objeto se torna, no futuro, o próprio objeto que foi enviado ao passado. O acontecimento acaba se tornando o causador dele mesmo! Confuso?

Em Dark isso é o dia-a-dia das pessoas. Exemplo: o livro “Uma jornada através do tempo”, do personagem H.G. Tannhaus. O relojoeiro reúne suas teorias em uma publicação que aparece constantemente na série e tem papel central nos eventos. Antes de escrever o livro, o jovem Tanhaus recebe um exemplar, entregue por Claudia (que veio do futuro). Então ele decide publicar 500 cópias em seu nome. O livro passa a existir sem nunca ter sido oficialmente escrito!

O que isso tem a ver com Cloroquina e Ivermectina? Começamos a usar esses (e outros) medicamentos pra tratar COVID-19, sem embasamento em evidências científicas. Por causa desse uso massivo, o Ministério da Saúde e os municípios aprovaram protocolos com tais drogas. E agora usamos esses medicamentos porque seguimos um protocolo que foi inventado (não existe nome melhor pra isso) porque usamos esses medicamentos massivamente. O acontecimento se tornou causador dele mesmo! 

Infelizmente o evento causador não foi a evidência científica. Tampouco o pensamento racional. Foi o desespero de tentar encontrar uma informação de eficácia no futuro e arrastá-la à força ao momento presente. “Temos que evitar o apocalipse”, vários Jonas brasileiros disseram. Mas sem máquina do tempo pra isso, recorremos ao chute e à adivinhação. E, como em toda loteria, a chance de ganhar foi muito pequena. 

E o pior é que isso não nos impede de continuar apostando nesse raciocínio circular que não nos leva ao benefício do paciente ou ao fim da pandemia. Eu só gostaria de voltar no tempo e ver as coisas caminharem diferente. Mas sempre é tempo de tomar melhores decisões. Aguardemos os próximos episódios.

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